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Os vinhos e seus aromas – grandes dilemas e ótimas discussões

“Este vinho tem um aroma frutado, com notas de maracujá e goiaba, um certo toque vegetal, uma lembrança a aspargos e um típico e intenso aroma de urina de gato”.
Essa é uma nota de degustação de um vinho Sauvignon Blanc; que normalmente gera a pergunta:
“Típico e intenso aroma de urina de gato? Isso é bom?”
Embora não pareça uma boa nota aromática, praticamente todos os vinhos elaborados da variedade Sauvignon Blanc que expressam a tipicidade desta casta de uva apresentam claramente aroma de urina de gato.
A uma altura dessas o caro leitor deve estar pensando o quanto esses enólogos e enófilos são um bando de malucos desocupados; tudo bem que ficam minutos debruçados sobre uma taça sentindo aroma das mais variadas frutas frescas, secas ou em compota; de especiarias remotas e desconhecidas e tantos outros devaneios aromáticos; agora me dizer que aroma de urina de gato é bom por que é típico de uma determinada uva?
Pois bem, vamos às explicações enológicas. Ao avaliar a composição aromática de um vinho por degustação busca-se exprimir sua nitidez, intensidade e qualidade. Um vinho de bom conjunto aromático é aquele que apresenta nitidamente sua tipicidade, com boa intensidade de aromas; apresentando-os equilibrados e harmonicos.

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Citando outro exemplo, Cabernet Sauvignon é uma variedade que constantemente apresenta aroma herbáceo (notas de pimentão verde, grama cortada e silagem). Quando os aromas herbáceos se sobrepõem aos outros aromas do vinho (aromas frutados, florais, defumados, provenientes de madeira,etc.) pode-se dizer que é um Cabernet Sauvignon aromaticamente desequilibrado.
Muito curioso também é o caso dos vinhos de uvas americanas, como a Bordô (Tercy), Isabel e Niágara, que apresentam aroma frutado muito intenso, considerado pela maioria dos degustadores “capacitados” um defeito, pois torna o vinho enjoativo. Mas enquanto os “capacitados” acham ele enjoativo, boa parcela dos consumidores em geral adoram o famoso “vinho com gostinho de uva”, tanto aqui no Brasil como na Itália, onde o Isabel é chamado “Fragolino”.
Há ainda os moscatéis e seus híbridos (por exemplo a uva Goethe) que apresentam aroma frutado lembrando muito a uva que os origina, geralmente de maneira mais sutil e conjugada com outros aromas frutados e florais.
Concluindo, há uma variedade enorme de tipos de vinhos (aqui foram citados só alguns exemplos) com os mais variados conjuntos aromáticos; e feliz é quem se aventura por este mundo, conhecendo os diferentes vinhos, se informando e usando o seu senso crítico (não o dos formadores de opinião) para escolher os seus preferidos e apreciá-los com moderação nos momentos mais condizentes.
Como já disseram muitos enógrafos mundo afora, Os vinhos são interessantes assim como as pessoas, pois tem grandes virtudes mescladas a pequenos defeitos. O que diz respeito às pessoas aparece no dia-a-dia e o que diz respeito aos vinhos aparece na taça.

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