BLOG

Para o meu futuro marido – Por Marcella Brafman

Futuro marido,

Eu não sei o seu nome, e muito menos como é fisicamente e psicologicamente. Se curte as mesmas músicas, aprova as minhas tatuagens, aprecia um bom vinho ou sabe fazer risotto. Talvez você seja um homem totalmente o meu oposto, que sabe-se lá como conseguiu juntar as trouxas comigo.

Hoje, agora, neste minuto que escrevo esta carta, eu não sei de nada disso. O que eu sei é que a gente casou ou mora junto. E que, para chegarmos até esse ponto, eu devo gostar muito de você. E isso basta para te escrever algumas palavras. (Por favor, não vai dizer que não gosta de Jimi Hendrix…)

Provavelmente namoramos muito tempo (ou não, já que sou levemente impulsiva), moramos juntos pelo menos seis meses (ou não, já que sou levemente intensa), ou você casou comigo porque eu estava grávida (se isso aconteceu, pare de ler aqui, vá até o nosso quarto e termine comigo), mas vou deixar todas essas suposições de lado e ser bem direta no que eu quero te falar. É que falar isso, assim, sem te conhecer, fica muito mais fácil.

Eu quero pedir que você seja meu amigo. Bem simples assim: amigo. Não aquelas amizades forçadas que alguns casais inventam só para parecerem felizes para outros casais. A gente saca quando é de mentira logo de cara. Eu estou falando de uma amizade, como se antes de amantes, fôssemos verdadeiros amigos, entende? Eu não preciso que você pergunte como foi o meu dia, eu preciso que você participe do meu dia. Como um amigo e como companheiro.

Porque isso é a segunda coisa que eu também quero pedir a você: que seja meu companheiro. Não aquele de todas as horas, porque eu sei que precisaremos dos nossos momentos a sós. Preciso ficar sozinha para ler os meus livros. Preciso sair sozinha para respirar um pouco de ar. Você tem os seus momentos e eu os meus, e assim nosso relacionamento pode dar muito certo.

Também quero pedir que você permita que o menino chame Daniel e que a menina tenha o mesmo nome que tinha a minha Barbie. Como você pode perceber, essa carta foi escrita antes mesmo de te conhecer, e é a maior prova de que é um desejo antigo. E verdadeiro. Portanto, seja legal e não tente mudar o nome do(s) nosso(s) filho(s). Acho que nisso a gente chega em um consenso.

Outra coisa que não posso deixar de pedir é que você pendure a toalha. Pode parecer bobo comparado a todas as outras coisas profundas que te pedi, mas é que como não te conheço, e essa carta – como já foi dito – foi escrita bem antes de você, é um sinal de que isso me incomoda, ou não estaria te pedindo algo tão banal. Eu não me importo de você se esquecer de abaixar a tampa da privada, mas a toalha molhada em cima da cama me deixa brava. Então, só para evitar conflitos, fica combinado que você sempre a pendure.

No mais, é isso. Os anos devem exigir mais de você, então não vou te assustar com tantos pedidos logo de cara. Você me conhece e sabe que não sou muito exigente. Fico orgulhosa que tenhamos chegado até aqui.

Amo você (provavelmente),

 

Fonte: Sem Clichê

Comente o Post
Post Relacionados