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Depressão: é importante compreender além do diagnóstico!

Marcos Alexandre Margotti Izé
Psicólogo CRP 12/15412
(48) 99942-0718
marcosmargotti@hotmail.com

   Segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), a depressão afeta cerca de 322 milhões de pessoas no mundo, sendo este número equivalente a 4,4% da população mundial. Já no Brasil, estimasse que ela atinja 5,8% da população. Outro número que chama atenção, é referente aos transtornos de ansiedade, que segundo a OMS, o Brasil se apresenta como um recordista em casos.

   Tristeza constante, desânimo, prostração no corpo, alterações de peso, alterações de humor e do sono, pensamentos de desistência, falta de cuidado consigo mesmo, isolamento, diminuição significativa da interação social, perda de interesse nas atividades do dia a dia, são alguns dos sintomas apresentados na depressão. Normalmente o indivíduo se isola e deixa de participar de rotinas do dia a dia, como o trabalho, momentos com amigos, ou mesmo em família, por não perceber mais sentido nessas tarefas.

   Doenças crônicas, eventos traumáticos na infância ou na vida adulta, abuso de substâncias, como: álcool, cigarro ou drogas ilícitas, acumulo de estresse, medicamentos e seus efeitos colaterais, são algumas das possíveis causas para o desenvolvimento do diagnóstico. É necessário cuidado para compreender que existe uma diferenciação entre tristeza e depressão. Por isso, recomenda-se visitar um profissional qualificado para realização do diagnóstico.

   Caracterizada por um corte no projeto, ou ausência de planos para o futuro, o sujeito diagnosticado com depressão não visualiza um futuro a construir, ou possibilidades de viabilização nos perfis de sua vida. Porém é necessário enxergar além do diagnóstico. História de vida, mediações (familiares e sociais), cultura, valores e crenças que acompanham a constituição de sua personalidade, são variáveis necessárias para a compreensão da construção do diagnóstico que se apresenta. Isso equivale a dizer que, mesmo existindo elementos universais (comuns) nas pessoas diagnosticadas com depressão, é de extrema importância aos profissionais compreenderem as variáveis singulares que contribuem para o diagnóstico.

   Compreendendo isso, é necessário se atentar também a importância de desmistificar alguns ditos populares. Mesmo em meio a tanta informação, é possível perceber alguns mitos como, quem possui depressão é uma pessoa fraca, que a doença está apenas na mente de quem sofre, ou que, falar sobre a depressão, faz apenas com que ela piore. Como vimos anteriormente, mesmo existindo elementos comuns a todos que possuem o diagnóstico, a construção e desenvolvimento deste, ocorre de forma muito particular.

   Normalmente o tratamento da depressão acontece em um conjunto entre psiquiatria e psicologia. Existem atualmente no mercado, vários medicamentos antidepressivos que tem por objetivo regular a química cerebral. Já o acompanhamento psicológico tem por objetivo compreender e intervir na causa, situações que deram as condições de possibilidade para o desenvolvimento do diagnóstico, compreendendo a sujeito em um todo, (enquanto história de vida, mediações, valores, crenças), na singularidade de sua construção. Mostra-se importante também o engajamento familiar durante o processo de tratamento, pois além do amparo profissional, o indivíduo terá o apoio familiar e de amigos, que proporcionará maior efetividade do processo psicoterapêutico.

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