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Exigência, como ela pode afetar sua vida?

Marcos Alexandre Margotti Izé
Psicólogo – CRP 12/15412
marcosmargotti@hotmail.com

   Recentemente escrevi um artigo que falava sobre como a exigência pode afetar sua vida. Nele falei brevemente a respeito dos sintomas comuns que surgem a partir dessa demarcação. Gostaria de pedir licença para falar e explorar um pouco mais a respeito do tema.

   Cada vez mais, é acumulado tarefas a uma só pessoa. Seja no trabalho ou na vida pessoal, é possível observar que muitas vezes o número de atividades a serem realizadas é maior que o tempo que se dispõe para elas. Estamos cada vez mais ocupados, e nunca se falou tanto em gestão de tempo, como atualmente. Com a ascensão da internet, a chegada de aplicativos de mensagens, como o “Whatsapp”, redes sociais e grupos de conversa do trabalho, muitas vezes o trabalhador sai da empresa, porém não consegue se desligar dela, levando trabalho para casa. A forma de trabalho também vem se modificando ao longo dos anos, aumentando o número de pessoas que trabalham de forma autônoma, com a possibilidade de trabalhar sem horário e endereço fixo.

   Como dito neste primeiro artigo, a exigência nas tarefas realizadas no dia a dia, seja no trabalho, nos estudos ou na vida pessoal, até certo ponto não acarreta em problema algum para sua vida. Muito pelo contrário, é possível perceber que, quando bem administrada, a exigência proporciona ao indivíduo êxito em vários aspectos, pelo fato destas tarefas serem realizadas com excelência. Porém, é necessário se atentar quando isso passa a afetar suas atividades quotidianas.

   Pensamentos como, “eu devo conseguir realizar isso”, “tenho que fazer da melhor forma possível”, não se permitir ao erro, não conseguir reconhecer ou vibrar por suas conquistas, sentimentos como frustração após realizar suas atividades, mesmo conseguindo atingir seu objetivo, sentimentos de inutilidade são alguns dos sintomas que denunciam uma taxa excessiva de exigência. É possível encontrar também em pessoas com alta taxa de exigência, pensamentos como “De que não fiz mais que minha obrigação”, “Que era meu dever fazer isso”, “Nunca vou conseguir ser bom como ele” e comparações em relação a outras pessoas, sendo na maioria das vezes uma comparação injusta por não levar em consideração a realidade do outro indivíduo.

   Normalmente todos estes sentimentos surgem em situações do dia a dia como reuniões, provas, encontros com amigos ou famílias, festas, e ocasiões onde o sujeito está exposto a avaliações e opiniões de outras pessoas, seja no contexto profissional, familiar, social ou pessoal. Quando vivenciadas, elas podem apresentar outros sintomas, físicos e psicológicos como ansiedade (que pode se desdobrar em ansiedade generalizada ou crises de ansiedade), sentimentos de culpa, frustração, inutilidade, fracasso, alterações no sono, alterações no comportamento alimentar, alterações de humor, tensão, agitação, taquicardia, raiva, prostração derivada da raiva, nó na garganta entre outros. Porém, é comum que mesmo frente a todas essas experimentações, que a pessoa não deixe de realizar suas atividades, mesmo estas gerando sofrimento. Percebe-se em pessoas com alta taxa de exigência, o perfeccionismo muito presente nas atividades do dia a dia, que também pode se desdobrar em transtornos de ansiedade.

   Quando investigado, é possível encontrar elementos na história de vida deste sujeito que explicam a construção desta dinâmica psicológica. Nestes casos é indispensável o acompanhamento psicológico, pois a exigência pensada a longo prazo, leva ao adoecimento psicológico e comprometimento do desenvolvimento das atividades no dia a dia.

   Você possui alguma dúvida ou curiosidade sobre algum tema em psicologia que gostaria que fosse abordado neste espaço? Dúvidas ou sugestões podem ser enviadas para o e-mail marcosmargotti@hotmail.com.

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