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08-01-19

Você sabe o que sente?

Marcos Alexandre Margotti Izé
Psicólogo – CRP 12/15412
(48) 99942-0718
marcosmargotti@hotmail.com

   Quando sentimos algo diferente em nosso corpo, e que isso perdura por certo tempo, nossa primeira atitude é procurar um profissional qualificado na área para verificar o que está acontecendo. Mas porque muitas vezes não fizemos isso quando nossas emoções se mostram alteradas?

   Angústia, ansiedade, medo, pânico, raiva, stress e euforia são alguns dos sentimentos que experimentamos no dia a dia. É preciso compreender que durante o decorrer do dia, passando por situações das mais variadas, estamos sujeitos a experimentar estes e outros sentimentos enquanto seres humanos. Até aqui não temos nada de anormal. Todo sentimento vivenciado traz algum tipo de afetação a sua vida, mas é necessário prestar atenção quando eles passam a interferir de forma significativa sua rotina.

   Como podemos perceber isso? A partir do momento que seus sentimentos passam a impedir você de realizar algo que antes conseguia realizar normalmente, como ir ou permanecer ao trabalho, ir ou permanecer em locais, eventos sociais ou de família. Ou sintomas como irritabilidade, mudanças bruscas de humor, alta taxa de ansiedade, sintomas físicos como taquicardia, sudorese, tremores, alteração de sono são sinais que podem denunciar a necessidade de cuidado com suas emoções.

   Ainda hoje podemos verificar certa resistência das pessoas, independente de gênero ou idade ao processo de psicoterapia, seja por vergonha de procurar o auxílio de um profissional de psicologia ou mesmo por desconhecer as vantagens de realizar um processo de psicoterapia. Muitas vezes ao se deparar com conflitos de ordem emocional, as pessoas buscam auxílio médico ou psiquiátrico, realizando uso de medicações que contenham os sintomas presentes, não buscando auxílio psicoterapêutico. É importante compreender que, em muitos processos psicoterapêuticos, existe a necessidade da utilização de medicações que auxiliam na contenção (diminuição) dos sintomas físicos, sendo que esta medicalização deve atuar em conjunto com a psicoterapia para o êxito no processo. Desta forma, quando as causas são de ordem emocional, o uso exclusivo da medicação poderá não surtir o efeito desejado.

   Percebe-se também algumas ideias distorcidas a respeito da psicologia enquanto ciência e profissão, que muitas vezes contribui para que as pessoas não busquem o auxílio de um profissional de psicologia. Abaixo enumerei alguns dos mais comuns.

   1 – Como um psicólogo vai me ajudar apenas conversando? Ao contrário do que muitas pessoas pensam a respeito da psicologia clínica, o profissional que irá lhe atender, não apenas conversa com você. Cada psicólogo(a) possui uma forma (abordagem) diferente de trabalho, que utilizam de técnicas, tarefas e formas de investigação que proporcionam métodos de investigação, compreensão e intervenção acerca da queixa que o paciente traz ao contexto terapêutico.

   2 – Tenho medo de ir a um psicólogo e não falar as coisas certas! Em psicologia clínica não existe um certo e um errado a ser dito ao profissional. Devemos levar em consideração, que quando falamos em personalidade, cada ser humano se constitui de forma diferente do outro. Por isso é necessário a investigação singular de cada caso, pois cada um irá vivenciar suas emoções de forma muito singular. Falar sobre suas emoções, a forma como elas afetam sua vida, e tudo que lhe incomoda no dia a dia é uma forma de levar ao profissional as informações necessárias para iniciar a terapia.

   3 – Como vou saber se a psicoterapia irá me ajudar em alguma coisa? Todo processo de psicoterapia traz resultados positivos a vida do sujeito, desde que exista participação do terapeuta, enquanto escuta, compreensão e intervenção, e participação do paciente, enquanto vontade de trabalhar os conflitos que lhe inviabilizam no dia a dia. A psicoterapia proporciona ganhos gradativos. Ou seja, é necessário um período para que o paciente consiga compreender um pouco de sua dinâmica psicológica a partir das consultas, para que os resultados possam começar a serem percebidos.

   4 – Psicólogo é tudo igual! Como citado no primeiro tópico, todo profissional de psicologia possui uma forma (Abordagem) de atendimento com técnicas, tarefas e metodologia de trabalho diferentes. É importante vocês verificar por meio do registro do CRP – Conselho Regional de Psicologia se o profissional que você frequenta está devidamente registrado no conselho que regulamenta a profissão. É importante aqui salientar que existem psicólogos (psicoterapeutas) que são profissionais formados em psicologia que praticam a profissão enquanto ciência, mas também existem os terapeutas que praticam atividades a partir de terapias alternativas, que na grande maioria das vezes, não possuem formação em psicologia, por isso não podem se denomindos psicólogos.

   5 – Como vou saber o que ele irá fazer com todas as informações que levo a ele? Todo profissional devidamente inscrito no conselho que regulamenta a profissão de psicólogo, atende e deve trabalhar pautado no código de ética profissional do psicólogo, que assegura o total sigilo das informações que o paciente leva às consultas ou em qualquer trabalho que for realizado, seja de forma individual ou em grupo.

   Com isso, podemos elucidar uma breve resposta à pergunta inicialmente colocada neste texto. A psicologia clínica tem por objetivo trabalhar enquanto ciência e profissão acerca das repercussões emocionais em sua vida. Por isso, se mostra importante estar atento a forma como suas emoções se manifestam a partir das situações cotidianas, pois o acumulo de situações (emoções) não trabalhadas pode acarretar no adoecimento psicológico.

   Você possui alguma dúvida ou curiosidade sobre algum tema em psicologia que gostaria que fosse abordado neste espaço? Dúvidas ou sugestões podem ser enviadas para o e-mail marcosmargotti@hotmail.com

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