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09-IMAGEM 05-02-19

Porque às vezes é difícil sair de alguns lugares?

Marcos Alexandre Margotti Izé
Psicólogo – CRP 12/15412
(48) 99942-0718
marcosmargotti@hotmail.com

Todo ser humano necessita de relações para sua interação e desenvolvimento com o mundo. Seja ela uma relação de trabalho, familiar, entre amigos ou mesmo afetivo amorosa. Essa troca de experiências com outras pessoas possibilita a descoberta das coisas no mundo. As relações em si, cumprem um papel importante, pois é por meio delas que o sujeito se reconhece sendo filho(a), pai, marido, esposa, mãe, estudante, trabalhador(a) entre tantos outros papeis.

Mesmo as relações sendo essenciais às pessoas, é possível perceber um grande número de queixas acerca dos problemas derivados das relações, desde problemas no casamento até insatisfação profissional, ou mesmo da dinâmica familiar. Não é incomum encontrarmos matérias na mídia falando a respeito de agressões físicas ou verbais, ou demais problemas que surgem a partir de relações fragilizadas, que mesmo causando sofrimento ao indivíduo, muitas vezes ele persiste em permanecer nelas.

Existem alguns comportamentos silenciosos, e que em um primeiro momento podem parecer inofensivos, mas que podem denunciar um relacionamento abusivo como por exemplo, proibir o companheiro(a) de falar com pessoas do sexo oposto, decidir qual roupa ele(a) deve vestir, proibir ou tentar coibir a pessoa sobre os assessórios que ira utilizar, determinar e super vigiar a rotina da companheiro(a), exigir que ele(a) não trabalhe, ou que trabalhe e sustente o parceiro(a), que ele(a) aceite traições, exigir explicações de tudo o que o companheiro(a) faz durante o dia entre outros. É necessário compreender que as pessoas podem apresentar alguns comportamentos destes em determinado momento do relacionamento. Deve-se tomar cuidado quando estes passam a ser rotineiros e se tornam cobranças que passam a afetar diretamente o relacionamento.

Temos alguns “ditados populares” que compreendem esse fenômeno como uma permissão, ou uma escolha do sujeito em permanecer e vivenciar tais situações. Entre as queixas, a mais comum diz respeito a insatisfação no relacionamento afetivo amoroso. Mas porque permanecer em uma relação que já não é tão satisfatória, ou que traz sofrimento a sua vida? Primeiramente é necessário compreender algumas variáveis que contribuem para isso, para entender que a permanência em uma relação pode ir muito além do que: “Se continua é porque gosta de sofrer”, ou “Se está lá, é porque escolheu ficar”.

Quando investigado é possível perceber que as respostas para a isso vão além destas justificativas. É possível verificar algumas questões a nível emocional, como dependência afetiva ou financeira do parceiro(a), baixo auto estima acompanhada de crenças de que não será possível encontrar outra pessoa, ou mesmo ter outro relacionamento caso este acabe. Existe presente também o sentimento de culpa ou mesmo, de responsabilidade pela realidade e os problemas da relação, sem conseguir verificar o papel e a responsabilidade do outro. É possível perceber também nestes casos, pessoas que tendem a não conseguir focar sua atenção para si, se doando demasiadamente ao outro na relação, muitas vezes não tendo um retorno na mesma proporção. Consequentemente não conseguindo reconhecer e se apropriar de suas qualidades e todo seu potencial, atribuindo qualidades ao companheiro(a), supervalorizando-o, mas esquecendo de si na relação.

A pessoa envolvida percebe e sente na maioria das vezes que o relacionamento não vai bem. Uma atmosfera de tensão toma conta, e o sujeito envolvido já não consegue mais viver sua espontaneidade, se questionando frequentemente o porquê desta realidade. Normalmente existe uma dificuldade no diálogo entre o casal, o que contribui para que nenhuma das partes envolvidas consiga posicionar sua insatisfação. Existe uma percepção do sofrimento e dos sentimentos vivenciados, porém na maioria das vezes, há uma insistência, na crença em que o parceiro irá mudar e melhorar com o tempo.

Tensão, ansiedade, frustração, desanimo, tristeza, sentimentos de inferioridade, crenças de que não é capaz, ou que é menor que os outros, insatisfação consigo mesmo, falta de cuidado consigo são algumas das consequências ocasionadas quando pensamos um relacionamento conflituoso a longo prazo, acompanhado consequente do adoecimento e fragilização psicológica. Percebe-se quando não tratado, a possibilidade do desenvolvimento de algum transtorno de ansiedade ou fobia, que acaba sendo consequência da vivencia dos sintomas a longo prazo.

Não é possível especificar causas para o desenvolvimento de problemas no relacionamento, porém muitas vezes pode-se perceber que isso se repete em outras relações. Ou seja, se existe uma permissividade ou doação maior no relacionamento afetivo amoroso, essa forma de funcionamento irá se repetir em outras relações, como no trabalho por exemplo.

Nestes casos é indispensável o acompanhamento psicoterapêutico, que tem por objetivo esclarecer ao indivíduo sua dinâmica psicológica e a forma como ele normalmente se posiciona frente ao mundo e as relações, levando a uma compreensão e maior entendimento, para promoção de mudanças. Devemos esclarecer aqui que problemas de relacionamento existem nos diversos perfis da vida, sendo necessário o cuidado e atenção quando estes passam a ser frequentes e afetar sua vida de forma negativa.

Você possui alguma dúvida ou curiosidade sobre algum tema em psicologia que gostaria que fosse abordado neste espaço? Dúvidas ou sugestões podem ser enviadas para o e-mail marcosmargotti@hotmail.com

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