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2019-03-12-psco

Mas afinal, o que são crises de ansiedade?

Marcos Alexandre Margotti Izé
Psicólogo – CRP 12/15412
(48) 99942-0718
marcosmargotti@hotmail.com

Mas afinal o que são crises de ansiedade? Já verificamos em um artigo publicado recentemente aqui neste espaço (Confira o texto na integra através do link – https://www.balada.biz/blog/2018/10/16/estatisticas-mostram-que-o-brasil-e-recordista-em-casos-de-ansiedade/), que o Brasil é o pais recordista em casos de ansiedade no mundo. No contexto clínico da psicologia, cresce cada vez mais o número de queixas relacionadas as complicações derivadas da ansiedade.

Um fator que chama atenção no meio disso tudo, é como ocorrem as crises de ansiedade. Até certo ponto, este é um sentimento comum, que pode aparecer frente a novas demandas/desafios da vida. É uma forma do corpo se proteger do desconhecido. Porém a partir do momento que ela passa a inviabilizar a vida das pessoas em suas atividades cotidianas ou interação social, isso merece cuidado. Mas você já parou para pensar no que é uma crise de ansiedade?

Fazendo uma comparação um tanto grosseira, podemos entender as crises como um balão que está sendo inflado. Conforme a área do balão vai recebendo ar, o mesmo vai se esticando até chegar um ponto que se torna insuportável carregar toda aquela carga, e o balão acaba por estourar. Ou seja, é comum perceber um acúmulo emocional em pessoas que sofrem com ansiedade. Situações do dia a dia que vão sendo somadas, até o ponto de não ser mais possível suportar.

Aqui podemos realizar uma primeira reflexão a respeito do porquê das crises. É comum nas pessoas com perfil mais ansioso, quererem ter o controle das situações. Controle no sentido de preferir realizar suas atividades de forma organizada (metódica), serem exigentes consigo mesmo e com as outras pessoas ao seu redor. Podemos verificar também uma dificuldade de posicionamento frente a situações do dia a dia. Ou seja, muitas vezes as pessoas vivenciam situações que não lhe agradam, ou que ultrapassam seu limite, mas da mesma forma não conseguem colocar sua opinião, reprimindo seus sentimentos.

Normalmente em crises, os sintomas emocionais e psicofísicos aparecem de forma muito intensa, fazendo com que o sujeito não consiga refletir ou perceber sobre o que está sendo vivido no momento. Sudorese, tremores, nó na garganta, coração acelerado, dores no peito e no estômago, sensação de desmaio, dor de cabeça e na nuca, desespero, euforia, dificuldade de organizar pensamento, concentração, agitação, pensamentos depressivos, certezas que não condizem com a realidade são alguns dos sintomas tanto da ansiedade, como dos momentos de crises.

Mas porque se atentar as crises? Pelo fato da intensidade na qual os sintomas aparecem no momento, existindo na grande parte das vezes a dificuldade de pensar ou raciocinar a partir dos fatos como eles são. Ocorre como se a imaginação (No sentido das certezas e das crenças do sujeito) se sobrepunham a realidade dos fatos. Estes são momentos onde uma grande carga de energia acaba sendo demandada, sendo comum o sentimento de cansaço ou sono após as crises acontecerem. Alguns pontos são importantes de serem compreendidos:

1 – Quais são os gatilhos que despertam sua ansiedade?

Ao contrário do que muitas pessoas imaginam, toda situação de sofrimento emocional é despertada por gatilhos do dia a dia. Pode ser uma fala do seu chefe que te remeta a certezas e crenças pessoais, uma discussão com o companheiro, pai, mãe, filhos ou outras pessoas. O medo ou receio de reviver novas crises entre outros. Por isso é importante compreender e conseguir realizar um trabalho junto ao seu psicólogo de entender e identificar quais são os gatilhos que despertam suas emoções.

2 – Se permitir vivenciar suas emoções/perder o controle!

Em pessoas com perfil ansioso, é comum a repressão de sentimentos, e a exigência em relação a outras pessoas. Entender que nem tudo está dentro do seu controle e se permitir vivenciar mais suas emoções, pode contribuir de forma significativa para o tratamento.

3 – Entender que o futuro é algo que ainda não existe!

É muito comum que as causas da ansiedade se remetam por um futuro que se apresente como certo. Seja pela certeza de que vai perder o emprego, pela certeza de ser abandonado(a) pelo companheiro, pela certeza de que não irá conseguir entre tantas outras certezas. Mas como é possível determinar o futuro? – Este é um ponto importante a ser refletido e construído juntos a seu psicólogo(a).

4 – Reservar tempo para você!

Entender que você não precisa dar conta de tudo, cuidar de todos e as vezes conseguir se “desligar do mundo” para fazer coisas que te gerem prazer também é um movimento importante a ser construído, pois isso te possibilita se perceber um pouco mais, se conhecer um pouco mais.

5 – Entender que a melhora é um processo!

Entender que a melhora é um processo que ocorre com o tempo. Não será de um dia para o outro que você irá compreender o porquê da constituição de seu processo. Por isso é comum as vezes vivenciar novas crises, ou sentimentos que lhe remetam aos sintomas de ansiedade. Quando isso ocorrer é importante conversar com o profissional responsável.

É importante também compreender que as crises aparecem como sintoma de algo que precisa ser trabalhado. Por traz delas, é possível verificar uma história de vida com variáveis que contribuíram para a construção da ansiedade. Por isso a importância de saber acolher, ouvir e acalmar o sujeito nos momentos de crise. Você não precisa ser psicólogo ou profissional da saúde para conseguir auxiliar alguém. Acolha, ouça de forma atenta e sem julgamentos, retire a pessoa do local onde está ocorrendo a crise e dê tempo para que ela possa se acalmar. Encaminhe a pessoa até algum familiar recomendando a busca de auxílio profissional.

Ainda hoje, mesmo com toda informação disponível, existe um grande tabu a respeito de algumas patologias como ansiedade, depressão entre outras, sendo muitas vezes compreendida pelo senso comum, como uma forma de “frescura, forma de chamar atenção, falta de trabalho entre outras falas”. Quando a ansiedade chega ao ponto de gerar crises recorrentes, é necessário a intervenção do processo psicoterapêutico (psicólogo) em conjunto com a intervenção psiquiátrica.

Você possui alguma dúvida ou curiosidade sobre algum tema em psicologia que gostaria que fosse abordado neste espaço? Dúvidas ou sugestões podem ser enviadas para o e-mail marcosmargotti@hotmail.com

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