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Até que ponto é saudável depender tanto do outro?

Marcos Alexandre Margotti Izé
Psicólogo – CRP 12/15412
(48) 99942-0718
marcosmargotti@hotmail.com

   O conceito de simbiose é usado na psicologia para descrever o movimento de dependência emocional de uma pessoa em relação a outra. Se pensarmos, isso é importante em determinados momentos da vida, em especial na infância, onde a criança necessita de cuidados e mediação dos pais ou responsáveis. O ser humano na qualidade de um ser que necessita de relações para seu desenvolvimento sempre terá a necessidade do contato com o outro. Mas até onde isso é saudável?

   Todo ser humano possui um projeto que se caracteriza pelas suas escolhas, vontades e atitudes frente ao seu objetivo de vida. Todo projeto é construído de forma singular, pois nele estão inseridas as variáveis/influências sociais, familiares e culturais para construção e desenvolvimento deste projeto. Durante toda vida, as relações se mostram presentes para o desenvolvimento pessoal.

   A necessidade excessiva de ter o outro por perto funciona como uma espécie de descaracterização ou perda do EU/PROJETO. Falando em termos menos técnicos, é como se o sujeito deixasse de viver sua individualidade e as características de sua personalidade para se moldar as vontades e aos desejos de outras pessoas. Não há a presença da espontaneidade nos atos e nas escolhas rotineiras, mas sim, a maioria das ações realizadas pela pessoa, tem por objetivo, satisfazer ou mostrar para os outros ou para alguém em específico seu movimento no mundo. Suas ações e escolhas passam a não ser mais pautadas em um desejo particular, em um projeto próprio, mas sim as escolhas são realizadas em função do desejo de agradar outra pessoa.

   Neste casos é muito comum a pessoa deixar de lado pequenas coisas do cotidiano que antes realizava e o faziam bem como por exemplo, atividades físicas, momentos com familiares ou amigos, hobbies entre outras coisas. Este movimento ocorre na grande maioria das vezes de forma gradual, sem que o sujeito perceba em um primeiro momento seu movimento. Ou seja, o indivíduo passa a se moldar aos desejos do outro(s), como se existisse uma constante necessidade de aprovação. Mas qual é o problema disso?

   A partir do momento que uma pessoa passa a deixar sua individualidade de lado e começa a realizar ações frente ao desejo de outras pessoas, a tendência é que com o passar do tempo, este movimento passe a se tornar difícil de ser mantido. Tensão, medo do abandono, necessidade de aprovação, dúvida de estar fazendo o certo, medo de rejeição fazem parte do dia a dia, pois uma vez que o indivíduo move suas ações em busca de agradar os outros, o pensamento e de que existe sempre o risco de não estar fazendo a coisa certa.

   Mas porque isso acontece? Porque agradar outra ou outras pessoas? Não é possível elencar uma causa específica para isso, mas quando investigado a história de vida de cada pessoa, é possível encontrar situações e determinantes que contribuíram para constituição dos sintomas que se apresentam. Normalmente é possível perceber elementos como baixo auto estima, medo de abandono ou da solidão, dificuldade para lidar com frustrações, dificuldades do sujeito para reconhecer suas qualidades e seu valor enquanto pessoa.

   É necessário cuidado quando a necessidade do outro passa a inviabilizar ou trazer prejuízos/sofrimento a vida do indivíduo, pois a partir deste sofrimento, pensado a longo prazo e a intensificação dos sintomas podem contribuir para construção de diagnósticos como TAG – Transtorno de Ansiedade Generalizada, uma vez que a ansiedade é um dos sintomas mais presentes, Síndrome do Pânico e Depressão.

   Não queremos aqui dizer, que não é saudável ter relação com outras pessoas, mas até aonde a necessidade do outro te faz bem?

   Somos seres humanos relacionais e não fomos feitos para ficar sozinhos, mas relações obsessivas e extremamente dependentes atrofiam a espontaneidade e nos engessam, no sentido de não conseguirmos ser realmente quem somos, mas sim, o projeto de desejo do outro. É importante avaliar sempre, se as relações em que se está envolvido são bacanas e permitem que você seja quem realmente é, sem máscaras, escrúpulos ou até mesmo, a necessidade de agradar o outro o tempo todo.

   Você possui alguma dúvida ou curiosidade sobre algum tema em psicologia que gostaria que fosse abordado neste espaço? Dúvidas ou sugestões podem ser enviadas para o e-mail marcosmargotti@hotmail.com

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